Ontem durante o almoço, uma notícia veiculada no Jornal do Almoço (não poderia ser outro nome) me chamou a atenção. Ela relatava o problema que as famílias mais pobres estão tendo para receber agasalhos neste inverno. As autoridades relatam que por algum motivo que não sabem qual é, as doações este ano estão menores que o ano passado. Por que será?
Quem quiser assistir a reportagem, é só dar play no player abaixo e esperar até os 4:40. Lá embaixo as informações mais importantes e algumas análises/opiniões.
Principais frases:
- Leandra, 7 filhos;
- Repórter: “Ana Paula e os 4 filhos dividem este casebre com outras 15 pessoas, entre elas a própria mãe que tem outros 9 filhos.”;
- A própria Ana Paula: “Tá difícil né a minha a situação, com meu marido preso, não tenho como trabalhar porque tenho o pequeno.”.
Outros dados:
- Em 2004, mulheres com até 3 anos de estudo tinham em média 3,9 filhos [1];
- Também em 2004, mulheres com 8 ou mais anos de estudo, a média de filhos é de 1,4 [2];
- Entre as mulheres que estão na mesma faixa de renda, as com até 3 anos de estudo, a média de filhos era de 4,3. Com relação às mulheres com 8 ou mais anos de estudo, a média cai para 1,4 filho [3];
- “Em 1970, as famílias tinham, em média, seis filhos. Em 1999, o número caiu para 2,3. Agora as mulheres têm menos de dois filhos.” [4];
- Esse não precisa de fonte: o inverno mais rigoroso dos últimos 10 anos.
E ainda se perguntam por que está faltando agasalhos. Vamos fazer as contas: uma família tem 1 filho e a outra família tem 7. Então a família precisa doar 7 agasalhos. Se está mais frio que nos últimos anos, o filho não usa só um agasalho, usa 2 ou 3. Se está mais frio, os 7 filhos tem que usar 2 ou 3 agasalhos. Nas minhas contas isso resulta em 3 agasalhos para o filho único, e 21 agasalhos para os 7 filhos.
Um comentário muito engraçado que sempre se escuta por aí é “eles não tem TV, então fazem filhos”. Isso fica ainda pior quando se está desempregada e com o marido na cadeia. A cada visita na prisão, pimba. Não conseguiu visitar o marido? Tem o melhor amigo dele, pimba. Minha mãe mora junto, pimba pimba. Minha filha completou 14 anos esses dias, pimba pimba pimba.
A vida das pessoas parece um eterno jogo de fliperama.
O que fazer?
- Distribuição de métodos anti-conceptivos pelo governo (falar sobre castelos, atos secretos e ganhos de mais de R$ 50 mil mensais para trabalhar 2 dias na semana virão em outro post);
- Educação, educação, educação, educação, educação e educação;
- Não dar tudo de bandeja para as pessoas, como no caso do Bolsa-Família e cotas nas universidades. As pessoas tem que correr atrás e conseguir suas vitórias com seus próprios méritos, e não tentando levar vantagem em tudo.
Fontes
[1, 2, 3]: Folha Online.
[4]: Jornal Nacional.
É, a matemática é mesmo desoladora, em todos os sentidos, e, como ano que vem teremos eleições, até o Bolsa Família já está tendo filhotes (vale cultura) . E pimba!
Talvez, em parte, seja porque as pessoas que doam estão vendo que as que recebem jogam fora.
Observação interessante essa. Lembro nos tempos de Santa Rosa, algo que acontecia com todo mundo: chegava um “pedinte” querendo dinheiro e muitas vezes ganhava um sanduíche porque todos sabiam que dar dinheiro para eles era dar dinheiro para a pinga. Daí pegavam o sanduíche e jogavam fora.
Muitos não se contentam com qualquer coisa, mesmo quando não tem nem o que comer.
eu já ofereci comida (barrinhas de cereal são comida?) pra um pedinte que me pediu moedas, e a desculpa que eu ouvi foi: “ah, mas é barrinha doce? ah, sou diabético, não posso…” Pelo menos não pegou e jogou fora.